Uma entrevista com Rafa Sardina


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'Eu não saio de casa sem meu AT4060. Ele já é parte do meu kit de trabalho.'

Recentemente tivemos uma conversa com Rafa Sardina, operador de mixer/engenheiro de som de Los Angeles e sete vezes vencedor do Grammy. Sua impressionante e eclética lista de clientes que aprovam a Audio-Technica inclui Macy Gray, Dru Hill, Jessy Moss, Mariah Carey, Luis Miguel, Juan Gabriel, Sheryl Crow, Soul Coughing, Marc Antoine, Angie Stone e Alejandro Sanz.

Mais conhecido pelos sons de pop/rock e Rythm & Blues, Sardina começou sua carreira em engenharia de som nos estúdios da Ocean Way e Record One em Hollywood, onde ele lançou seu primeiro trabalho independente de engenharia de som com o mega star da Warner, Luis Miguel. Desde então Sardina colaborou em sete de seus álbuns.

Sardina recebeu dois prêmios do Grammy Latino em 2000 pelo Álbum do Ano e Melhor Álbum Pop por "Amarte Es Un Placer" de Luis Miguel, gravado pela WEA Intl. As indicações posteriores ao Grammy por álbuns de Miguel continuaram nos anos de 2001 a 2003 e mais recentemente por "33" em 2004. Este ano o álbum "No Es Lo Mismo" do superstar da Warner, Alejandro Sanz, gravado por Sardina, ganhou os prêmios de Gravação do Ano, Álbum do Ano, Canção do Ano, Melhor Álbum Pop Vocal Masculino e por último, mas não menos importante, levou o troféu de Melhor Engenharia de Gravação para um Álbum.

Como você se envolveu no setor profissional de áudio? Você se lembra do momento no qual você soube que isso era o que você queria fazer?

Rafa Sardina: Acho que tive sorte em ter minha primeira experiência com estúdio ainda muito jovem. Acho que eu tinha 15 anos quando a banda do meu primo gravou seu primeiro álbum. Aquilo me impressionou de verdade, realmente me marcou.

Como você descreveria seu estilo como produtor?
Acho que sou um produtor do tipo “vibrante”. Eu gosto de sons fortes e de arranjos muito bem idealizados que ajudem o artista e a canção a expressarem a idéia a que se propõem. Eu trabalhei com todos os gêneros musicais, de Rythm & Blues ao rock, pop e tudo que existe entre eles. Gosto de todos os gêneros, embora o rock esteja no meu sangue.

Você tem uma série de áudio específica para vocais?
Eu tenho várias; tudo depende do cantor com o qual estou gravando. Atualmente eu uso o Audio-Technica AT4060 e AT4050 mais do qualquer outro microfone da minha coleção. Eles são microfones de som suave, mas com a medida certa de agudos.

Você toca algum instrumento? Como isso afeta a forma com que você trabalha no estúdio? Como isso afeta a forma com que você produz um álbum?
Eu toco violão e um pouco de baixo, embora não em um nível proficiente o suficiente para satisfazer minhas exigências como produtor. Contudo, devo dizer que isso é uma ferramenta indispensável para me ajudar com os arranjos e idéias que procuro quando trabalho com uma canção.

Agora que você já teve a oportunidade de trabalhar em seu novo estúdio, After Hours, o que você acha dele? Você ainda está se ajustando?
Acho que eu estou sempre me ajustando, mas essa é a beleza deste trabalho. Cada projeto apresenta novos desafios e necessidades. Estou extremamente satisfeito com a After Hours e com o novo valor que ela me oferece como engenheiro de som e produtor. Não sei o que eu faria sem ela!

Qual o seu console favorito?
Isso depende, se é para a gravação, eu gosto de consoles para sons arrojados com os vintage da api, ou a série 80 Neve. Eu não preciso muito deles porque eu tenho uma vasta seleção de módulos desse tipo, minha própria seleção pessoal, e vou direto para a gravação.

Para mixagem, eu adoro o console SSL9000. Para um som mais orquestral, de jazz, ou puramente acústico eu ainda prefiro o velho Neve.

Qual o seu microfone Audio-Technica preferido? Por quê?
Sem dúvida, o AT4060. É um microfone espetacular com qualquer som. Ele funciona maravilhosamente com vocais, violão, como um microfone suspenso ou microfone de ambiente para bateria. Eu tenho outros microfones básicos da Audio-Technica como o AE3000 e o AE2500.

Algum uso especial para microfones Audio-Technica?
Usar um AE3000 literalmente montado embaixo do tablado da bateria. Isso cria um efeito surpreendente.

Você sente necessidade de comprar todos os últimos lançamentos do mercado ou você prefere ficar com os equipamentos testados e aprovados?
Isso depende. Tento introduzir algo novo em todos os projetos. Aquele aparelho, microfone ou procedimento adicional que faz com que você tente coisas diferentes e aborde a gravação de forma diferente. Isso traz surpresas maravilhosas que você não experimentaria de outra forma.

Existe algum equipamento que você considera indispensável para o seu som (por exemplo: um determinado microfone, uma unidade de reverberação específica, unidade composta, etc.)?
Eu não saio de casa sem meu AT4060. Ele já é parte do meu kit de trabalho. Eu adoro usar meu velho Eventide SP-2016 e também a unidade mais nova que eles lançaram, chamada Princeton P-2016. Como pré-amplificadores eu adoro meus Mastering Lab valvulados.

Você tem algum truque ou dica para microfones?
Eu gosto sempre de trabalhar o posicionamento cuidadosamente. É parte fundamental da engenharia de som. Os microfones não são inteligentes, ele dependem de você para um posicionamento adequado. Nunca se esqueça disso!

Como você mantém a saúde de seus ouvidos?
Tento descansá-los quando não estou trabalhando e uso protetores de ouvido em ambientes barulhentos…

O que você considera o maior desafio no seu trabalho?
Ser diferente, mas de forma positiva, e convencer as pessoas de que qualidade é importante… Buscar excelência de áudio, não importa o que digam da qualidade de MP3. Acho que cada pequeno detalhe é importante; não podemos desistir agora!

Os engenheiros de som ao vivo e os engenheiros de som de estúdio se comunicam sobre atingir um certo som?
Normalmente não, mas de vez em quando há uma interação. Eu até já recebi alguns engenheiros de som nos estágios finais de mixagem de um projeto para captar a vibração de que iam precisar para apresentar o projeto ao vivo. Atualmente a maioria das grandes turnês tem um programador que cuida da obtenção e documentação dos arquivos e efeitos que serão necessários ao vivo.

Como um ávido usuário de equipamentos profissionais, você usa equipamento analógico eventualmente?
Eu uso, mas não com a mesma freqüência de, digamos, três anos atrás. Definitivamente, houve um aperfeiçoamento na qualidade de conversores e da própria plataforma de equipamentos profissionais. Além disso, você aprende a atingir a qualidade de som que você está buscando, não importa quais os equipamentos que está usando. Essa situação sempre existiu, mesmo antes da era digital. Você sempre faz o seu melhor e tenta chegar o mais próximo do objetivo final com o que você tem disponível e com qualquer que seja o orçamento disponível.

Há produtores que servem de referência para você?
Com certeza há pessoas que me influenciaram durante minha carreira como Trevor Horn, Mutt Lang, George Martin, Quincy Jones, Glynn Johns e caras mais jovens como Dr. Dre, Matt Wallace, Steve Lillywhite, Lulo Perez... Sem me esquecer do meu ídolo de todos os tempos, Bob Clearmountain.

Quais falhas você vê engenheiros de som/operadores de mixer inexperientes cometendo e por quê... e o que você diria a eles? Algum conselho para os iniciantes aprendendo o caminho?
O erro mais comum é do ponto de vista mais básico da própria "produção". As pessoas tendem a encher o arranjo e as dificuldades de produção com MAIS, mais faixas, mais opções, mais tudo...Na maioria das vezes "menos é mais" se você produz a performance o arranjo certos.

Você também precisa de uma boa situação de monitoramento ou seu trabalho não terá um bom ponto de referência. Os problemas mais acentuados normalmente ocorrem em baixa freqüência. A solução é com certeza uma boa sala de tratamento se você trabalha em um estúdio em casa e o uso de um subwoofer se sua única referência são alto-falantes de campo.

Quais discos você ouve em casa?
Todo tipo de coisa. Meu gosto musical é bem eclético. Eu ouço rock, música alternativa, clássica, hip/hop, jazz, country, blues. As coisas que me estimulam geralmente têm uma combinação de elementos, incluindo boa qualidade de som, letra e performance musical fortes, performance vocal marcante e arranjos criativos.

Quais os seus hobbies fora do áudio?
Ficar com meu filho de três anos é minha maior alegria. Cada dia com ele é uma nova aventura.

Gosto de estar perto do mar. Eu cresci perto do mar, então ele está no meu sangue. Também gosto de sair, ouvir bandas e curtir uma boa noite de música. Então, você pode dizer que me divertir com músicos está em meu sangue também.